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Acompanhe
aqui crônicas feitas por motociclistas para sua leitura e reflexão.

10/10/2008 -
Calor Providencial
-Vamos até Campos do Jordão? Eu ainda não tinha saído da
Baixada Santista de motocicleta e esta foi a idéia de um amigo para um final de semana. -Vamos sim, claro, respondi animado.
Num fim de tarde de sexta feira ligamos nossas Harleys-Motovi e, vestindo calça jeans, coturnos militares, jaqueta
de couro e luvas, pegamos estrada. Estávamos em setembro de 1978.
A idéia era parar em São Paulo e dormir na casa de um tio deste amigo, acho que no bairro da Mooca. Chegamos já de noite
na casa do tal tio. Era uma casa esquisita e o anfitrião combinava com a casa. Não nos ofereceu jantar e sem muita conversa nos
apresentou os aposentos em que ficamos. Um sótão escuro, muito escuro. Tudo bem, era só uma dormida.
Na manhã de sábado, sem um cafezinho sequer, saímos daquela casa sinistra e rumamos para a rodovia Presidente Dutra. No
primeiro abastecimento fizemos um lanche e logo chegamos a Taubaté. Subimos para Campos do Jordão pela estrada antiga. Não sabíamos que
havia uma estrada nova por São José dos Campos.
Que estradinha! Eram curvas e mais curvas numa estrada estreita e quase sem acostamento. Entretanto, foi muito bom este
roteiro. Apesar de perigoso, havia muitos abismos profundos, vistas deslumbrantes, orquídeas em profusão e mata original cerrada. Os
veículos que vinham em sentido contrário por pouco não tomavam toda a nossa mão de estrada. Principalmente ônibus e caminhões.
Chegamos a Campos do Jordão pouco depois de meio dia e fomos rodar pelas proximidades, conhecemos cachoeiras, mirantes,
etc. O tempo estava bom a fazia até um calorzinho. A região é pródiga em belezas naturais e a cidade muito bonita, com a maioria
dos prédios em estilo alemão da Bavária. Só voltamos para a cidade quase ao entardecer.
Nossa idéia era ficar a noite na rua, nos bares até o dia amanhecer para voltarmos à Praia Grande. Ficar na rua??? Amigos, de
repente soprou um vento forte e muito frio. As pequenas Motovi quase foram derrubadas. Ficamos apreensivos. Que Frio!
Nossa sorte foi que conhecemos duas simpáticas meninas que por acaso também estavam sem companhia e que, ao saberem que não
tínhamos onde dormir, nos convidaram para nos hospedarmos na mesma pousada em que estavam, não muito cara. Os preços de hotéis em
Campos do Jordão, geralmente, são caríssimos. O excepcional foi que conseguimos apartamento vizinho ao das nossas novas amigas e o
fantástico foi que havia uma porta entre eles. Escapamos do frio primaveril de Campos do Jordão, que nos pegou de surpresa, e ainda
ganhamos um calorzinho extra...
Foi difícil sair dos edredões na manhã de domingo. Com muito esforço deixamos as meninas dormindo e pegamos estrada.
Retornamos pela moderna estrada que termina em São José dos Campos. Muito nova e bem sinalizada, mais larga, com túneis e
belíssimos belvederes. Voltamos direto para Praia Grande, onde nossas namoradas nos esperavam apreensivas.
Esta foi a primeira vez que peguei estrada de moto para outro destino que não fosse o litoral de São Paulo, nas proximidades
de Santos, onde só costumava ir até Itanhaém, Peruíbe, Guarujá e Bertioga.
Doce primeira viagem.
* Luiz Almeida é autor do livro Histórias de Motocicleta.
01/10/2008
- Visão das
Autoridades
Em
época de eleições essa é boa.
Você
já parou pra pensar na falta de visão das autoridades para com o
motociclismo ?
Nota-se ultimamente uma série de medidas implementadas ou a implementar,
as quais, aparentemente, visam proteger os motociclistas, porém mais
atrapalham que beneficiam.
São projetos querendo proibir garupa, com relação a capacetes e seu uso
e "facada" no absurdo Seguro Obrigatório, dentre outras aberrações.
É aquilo de implementar idéias sem sequer ouvir os principais
envolvidos. Aliás, fato corriqueiro em nosso País.
Se ao invés disso enxergassem o motociclismo como uma solução para o
transporte, o que de fato é, pois hoje sai até mais barato trabalhar ou
ir ao mesmo de moto que por outros meios, aí sim, evoluiríamos.
Bem, isso sem falar do mototurismo, dos esportes e lazer, dentre outras
coisas ligadas ao mesmo.
Mas, convenhamos, é querer demais que essas autoridades enxerguem isso,
afinal, o negócio deles é outro, como sabemos.
No entanto, também temos culpa, afinal poucos votam em candidatos
motociclistas, preferindo eleger "políticos de carreira". Aí
é difícil !
Tá dito !
Autor:
Cicero Paes
55
anos, motociclista há mais de 33 anos. Larga experiência em longas
viagens nacionais e internacionais.
Site - www.ciceropaes.com.br
E-mail - ciceropaes@ciceropaes.com.br
20/09/2008
- Dedo mindinho
não tem preço!
Quem
conhece o trânsito da cidade de São Paulo sabe que no Brasil não existe
nada parecido. Esquisito ou não, é possível encontrar paulistanos que têm
orgulho da grandiosidade desse embaraçado fenômeno (sic)! Só para dar
uma idéia para aqueles que são de fora de São Paulo, por aqui, existe
aproximadamente 6 milhões de veículos, sendo 1,2 milhões de motos.
Quando o paulistano diz que pegou um “puta trânsito", está se
referindo a duas centenas ou mais de quilômetros de congestionamento, o
que pode corresponder, por exemplo, a metade do percurso entre as cidades
de São Paulo e Rio de Janeiro.
Rodar
nessa miscelânea de veículos, em avenidas gigantes não é moleza,
pois, requer muito cuidado e atenção. A qualquer momento pode ocorrer um
acidente e, nesses casos, veículos de menor tamanho, costumam levar a
pior, sobretudo, o piloto...
Confesso
que por uma questão de conforto, sempre usei luvas tipo "meio
dedo", por considerar que as outras me tiram o tato. Depois que
comecei a trabalhar com o Rock Riders, lendo muitas matérias, conversando
com centenas de motociclistas e participando de palestras sobre diversos
produtos e assuntos, inclusive sobre luvas, mudei de opinião e comecei a
usar um modelo cheio de proteções, conhecido em nosso meio como
"luva inteira", semelhante aos modelos usados por pilotos de
Moto GP, ou seja, profissionais. Evidentemente que optei por um modelo
mais "light", inclusive no quesito preço.
Pois
bem, numa tarde de dia útil em São Paulo, lá estava eu rodando pelos
conhecidos corredores de motos (sei que caberia aqui outra crônica sobre
trafegar nesse espaço, por vezes, suicida, mas, não é o caso), quando
inadvertidamente, um carro virou para a direita e me fechou. Por sorte,
freei até com o manete da embreagem (risos) e, nada me aconteceu,
tampouco com a moto, entretanto, minha luva da mão esquerda teve o
dedinho rasgado. Isso mesmo, somente a luva. Meu dedinho está novinho em
folha – Obrigado Senhor!
Pela
luva eu paguei R$285,00. Quando a comprei achei caro, mas, depois desse
incidente, até que ficou barato (risos). Equipamentos de segurança dos
bons é assim, a gente acha caro num primeiro momento, mas, temos que
comprá-los e usá-los! Esse é um importante hábito que nós,
motociclistas, devemos ter. Não tenho dúvida: - Meu dedinho vale muito
mais que R$285,00! O Presidente Lula que o diga...
Autor:
Policarpo Jr -
37 anos, motociclista há 12 anos. Administrador de Empresas. Editor do
portal Rock Riders.

07/09/2008
- Moto &
Garupa
Uma moto
pode ser moldura para muitas histórias, abrigo para muitos afetos, atalho
para muitos achados. A garupa de uma moto traçada pela minha imaginação
é assim: Cúmplice clandestina dos meus absurdos, desejos surdos, meus
cantos escuros. Um lugar em que eu possa escancarar meus quartos
secretos, instalar minhas coisas do passado e minhas idéias descabidas.
Afinal, mesmo juntos e indo muito bem, me vejo sozinha por horas na
garupa.
Uma moto
em que caibam os meus abraços e os meus embaraços. Uma moto em que eu
possa trapacear a tristeza, encolher o cansaço, soltar meus anjos e
amansar meus demônios. Uma moto para alargar as minhas liberdades,
amar de verdade e fluir minhas vaidades. Uma moto que me permita
estreitar meus limites, espreitar minhas manhas, não preguiça de
manhã. Uma moto para acomodar as minhas incoerências, aquietar as
minhas “doiduras” e, espichar as minhas querências.
Uma moto
em que eu possa largar o corpo e assanhar a mente, recebendo o calor do
sol, que, sem pudor, espia por todas as frestas. Ah, uma moto onde eu
possa farejar as manhãs, com cheiro de flores, cheiro de ervas, madeira
secando. Uma varanda para escorregar as minhas manias e lustrar meus
afetos. É sentada na garupa, como se fosse a varanda de uma casa,
que eu quero sentir o hálito das tardes frias, assistindo às aves se
empoleirando apressadas, aturdidas. E é da varanda, também, que quero
vigiar tudo. É essa à parte da moto que vai armazenar as minhas euforias
e esconder as minhas desistências, em que eu possa confiar os resíduos
da minha história. E, daqui a sabe lá quantos tantos anos, ainda me
conceder as lembranças de tudo que nela tenha vivido.
Pra
quem apareceu, escreveu, telefonou, publicou, mandou cartão, poema,
desenho, beijo, abraço, prece, desejou felicidade e alegria, tudo de bom.
Vocês são a melhor torcida que existe! Beijo para quem é de beijo e,
abraço para quem é de abraço!
Autora:
Chayenne Gonçalves –
30 anos, garupa há 4 anos. Praticamente estreou a condição de garupa
cruzando as três Américas rumo ao Alasca – EUA.

22/08/2008 -
Beber e Pilotar
Não condeno ninguém que goste de beber. Eu bebo desde os meus 17 anos, hoje tenho 36. Agora mesmo enquanto redijo este texto, estou bebendo cerveja
geladinha, ouvindo a Rádio Rock Riders, uma delícia! Mas estou sentado na frente do PC. Não estou dirigindo ou pilotando uma moto ou qualquer outro veículo. Se errar, aperto o
"delete" e está tudo certo.
Confesso que já bebi e pilotei uma moto, várias vezes. Porque na maioria dos encontros, passeios em grupo e locais que nós motociclistas
freqüentamos, é comum bebermos e depois pilotarmos.
Dizem que "conhecendo nosso limite e não o extrapolando", não faz mal a ninguém. O problema é conseguirmos "parar de beber" antes que esse limite chegue. No meio da festa, com os amigos e tal e opa, chegou a minha hora agora devo parar. Balela. No fundo, todos sabemos que isso é muito difícil de fazermos. Estamos no agito bebendo e vamos indo até não querermos mais e não até o "nosso limite chegar". Sem contar que cada um tem o "seu limite".
Pior ainda quando bebemos e vamos pilotar em grupo, em comboio. Já imaginou, um "piloto
bêbado" cai e leva alguns junto com ele.
Uma vez num passeio que fiz junto com vários motociclistas, presenciei uma mulher que estava pilotando sua Shadow 750 totalmente bêbada, ia para lá e para cá na pista. Coisa de doido. Quase caiu, mas num momento de
sobriedade, parou numa cidadezinha e foi dormir no hotel. Ainda bem. Já
imaginou o que poderia ter ocorrido com ela?
Já ouvi motociclista dizer: "Tranqüilo, com o vento na cara passa a bebedeira, sossegado,
moleza". Se somos adolescentes
podemos até achar graça desse tipo de comentário. Mas somos adultos e motociclistas. E muitos de nós pais de família que rodam com a esposa na garupa.
Nosso hobby
já tem seus riscos por si só. Aumentá-los é idiotice.
Descobri há alguns anos que um dos meus maiores prazeres é pilotar uma moto na estrada. E trabalhando com o Rock Riders algumas coisas ficaram muito claras em minha mente, são elas:
1 - Não beber e pilotar;
2 - Rodar sempre, sempre, sempre, com todos os equipamentos de segurança que eu puder;
3 - Espalhar os dois itens acima para quantos motociclistas der;
4 - Relevar as críticas e brincadeirinhas que irei certamente ouvir e receber daqueles que se julgam melhores e inatingíveis.
Autor:
Policarpo Jr -
37 anos, motociclista há 12 anos. Administrador de Empresas. Editor do
portal Rock Riders.

09/08/2008 -
Idade de Motociclista
Já ouvi a expressão "Motociclista não fica velho, fica experiente". Concordo!
Acrescento ainda: Motociclismo rejuvenesce, afinal, em sua maioria, são pessoas de bem com a vida, que curtem a natureza e detestam viver em clausuras.
Tenho companheiros motociclistas com idade para serem meus filhos e ninguém me chama de "senhor" (ainda bem!), pois essa é uma palavra que tem aquele peso da idade.
Se observarmos atentamente, mesmo os cinqüentões, sessentões e setentões (talvez até os oitentões) não se tratam com formalidade.
Todos são motociclistas e não senhores, tios ou avós.
Autor:
Cicero Paes*

06/08/2008
- Viajando
Duplamente
Interessante como na solidão do capacete viajamos duplamente, ou seja, fazemos a viagem em si e aquela que se desenrola em nossa cabeça.
Imagine o que se passa na cabeça de pessoas que conseguem caminhar cerca de 800 quilômetros do Caminho de Santiago de Compostela ou ciclistas que pedalam milhares e milhares de quilômetros.
Quando estamos "viajando", vem à tona coisa de infância, da adolescência, projetos que deram certo ou errado e tantos outros momentos marcantes da vida, que nos fazem avaliar e reavaliar tudo num contexto amplo e geral.
Porem, temos que tomar cuidado para que a viagem que se desenrola na cabeça não se sobreponha a real, tirando a necessária concentração, a qual pode fazer a diferença entre uma boa ou
má viagem... na melhor das hipóteses!
Autor:
Cicero Paes*
* 55
anos, motociclista há mais de 33 anos. Larga experiência em longas
viagens nacionais e internacionais.
Site - www.ciceropaes.com.br
E-mail - ciceropaes@ciceropaes.com.br
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